A morte de um "anônimo" extraordinário

Só os que pertencem ao setor de energia elétrica o conheceram: o engenheiro Antonio José Soares de Oliveira faleceu semana passada, aos 60 anos. Vivia em Goiás, onde tem sede a empresa de manutenção elétrica de nome esquisito (Energoato) que ele criou e chefiava de maneira ciosamente centralizadora. Ele estava sempre presente onde se fizessem necessários seus serviços executados com modernidade, a dedicação que não conhecia horários, a competência e a honestidade que eram suas características profissionais e pessoas;

AJ, como o chamávamos, poderia estar hoje no Nordeste, implantando um conjunto de geradores eólicos, ele que foi pioneiro nessa modalidade no Brasil, ou na Amazônia, dando manutenção em uma subestação de uma distribuidora local. Tanto poderia estar em uma reunião com autoridades do setor elétrico, em Brasília, chamado às pressas para uma manutenção nos transformadores da CEB, após um dos ruidosos puxões de orelha dados pela presidente Dilma Rousseff em seus subordinados, quanto nos EUA, conhecendo um novo relé multifunção para usinas.

Poderia estar no Rio Grande do Sul, inspecionando uma turbina, ou em São Paulo, fazendo testes num grande gerador. Ou na Argentina, prestando uma consultoria para um de seus clientes locais. O trabalho era seu ganha-pão, mas também sua diversão, e mais que isso, sua paixão. Dizíamos, jocosamente, que AJ era engenheiro-parteiro, pois atendia a qualquer hora, em qualquer dia da semana, em qualquer lugar onde uma linha de transmissão, uma subestação ou uma usina hidroelétrica entrasse em pane. Bastava um telefonema para ele acionar a si mesmo e sua competente equipe.

Livramo-nos muitas vezes de apagões graças a esse seu talento anônimo, quase secreto. Reservado, muito reservado, nunca soube dele em festas ou em solenidades. Talvez tanto amor ao trabalho o tenha matado, pois nunca pareceu se preocupar com a saúde uma fração que fosse do que se preocupava com o labor. Não dava muita importância a uma gastrite, que afinal não era gastrite, mas um fulminante “atroz recôndito inimigo”, ou seja, um câncer, no dizer de Raimundo Correia.

AJ fica como exemplo para os filhos, Almir, Mariana e Gabi, e para nós, seus amigos. Guardamos suas atitudes, que mais se ressaltam no momento atual: era modesto e cavalheiro, quando tantos são vaidosos e insolentes, era honesto e dedicado ao trabalho, quando há tanta corrupção e indolência. E era competente, quando a época parece ser dos ineptos, dos incapazes.

Publicado por: Irapuan Costa Júnior

Prefeito da cidade de Anápolis
Senador por Goiás
Governador de Goiás
Data da Publicação: 19 de Maio de 2013

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